Esta é a nossa segunda publicação acerca do tema Dimensões da Vida e Desenvolvimento Pessoal. Veja a publicação anterior, Dimensões Corporal, Física e Sexual
e nos acompanhe. Na próxima, traremos as dimensões Afetiva, Emocional e Fraternal e você não vai querer perder!
Na dimensão filial, reside a forma como lidamos com nossos pais, isto é, nossa relação desempenhando o papel de filho ou filha, como lidamos com nossos familiares e qual nossa função na família da qual somos originários. A boa relação com os pais e irmãos, bem como com outros entes que se chegaram à família, interferirá no livre-arbítrio de poder escolher, numa próxima existência, com quem renascer. Caso nossos pais já tenham falecido e não tenhamos irmãos, podemos estender a análise para as pessoas com as quais estabelecemos relações que se assemelham às de família. Estar resolvido nesse campo significa ser grato aos pais, quaisquer que tenham sido suas atitudes para conosco, viver bem com os entes familiares, não sendo peso na vida de ninguém, e não estar contribuindo para a desarmonia do grupo familiar originário.
Na dimensão paternal,
podem-se incluir tanto as atitudes como pai, havendo filhos, quanto a atitude de afirmação diante da Vida. Tal atitude engloba a coragem para tomar decisões, a disciplina para lidar com a complexidade do mundo, a responsabilidade na conduta, a vida profissional autônoma e a obediência às normas e regras sociais. É o exemplo paterno que contribui para que os indivíduos se tornem determinados e corajosos diante da vida adulta e de seus desafios. Caso se tenha filhos, deve-se perguntar de que forma os educa. Deve-se analisar se tem atitudes rígidas, arbitrárias, tiranas ou excessivamente castradoras para com eles. Caso positivo, pode ser indício de abrigar internamente (conservar psicologicamente um modelo) um pai muito duro e negativo. Se, ao contrário, se é negligente, permissivo ou excessivamente liberal, isso pode ser indício de um modelo inconsciente de pai ausente ou sem disciplina. Geralmente manifestamos, inconscientemente, o modelo de pai que temos na forma como nos posicionamos na Vida durante a adolescência e a vida adulta jovem (mais ou menos entre 12 e 25 anos). O adolescente irresponsável ou o adulto jovem desencontrado refletem o pai permissivo que conservam interiormente. O adolescente responsável e o adulto jovem estruturado refletem o pai interno equilibrado. O adolescente retraído e com dificuldade de escolhas, bem como o adulto jovem acomodado, podem refletir o pai interno muito exigente.
A dimensão maternal
possibilita o estabelecimento de relações profundas com as pessoas. Nessa dimensão, o ser humano se preocupa com o bem-estar dos outros, com a proteção e manutenção das pessoas e com a afetividade e amorosidade na vida. Nela, fala mais alto a maternidade como força nutridora e mantenedora da Vida. Deve-se perceber, sendo ou não mãe, se sabe nutrir as pessoas de vitalidade e disposição para amar e viver. Se tiver filhos, deve-se analisar de que forma atua, isto é, se é muito protetor, o que pode contribuir para anulação da identidade do filho, ou se é displicente, o que favorece à frieza nas relações amorosas. Adultos com dificuldades na relação a dois, no que diz respeito à aceitação do outro como ele é, podem ter tido mães superprotetoras. Por outro lado, adultos carentes afetivamente podem ter tido mães não muito carinhosas. O tipo de relação que se teve com a mãe exerce profunda influência na vida amorosa de qualquer pessoa, por vezes determinando sua forma de se relacionar com os outros para o resto da existência. Ser mãe não é só parir ou nutrir os filhos nem tampouco subtraí-los do embate com o mundo, como se fossem eternas crianças, mas prepará-los para os envolvimentos emocionais a que sempre estarão sujeitos. Estar resolvido nesta dimensão é saber exercer a função materna como algo que possibilita ao outro, com quem se interage, a capacidade de ter relacionamentos sadios e de se tornar independente. É também estar consciente de que essa função possibilita a vivência do papel de cocriador na Vida.
Para saber mais sobre este e demais assuntos tratados por Adenáuer Novaes, veja as obras publicadas pelo autor. Este conteúdo foi extraído do livro: Psicologia e Espiritualidade.