E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores. - Mateus 6:12.
Há dívidas de várias ordens. Existem financeiras, morais, patrimoniais, espirituais etc.. Quando se estabelece um contrato de obrigações com outra pessoa, há uma dívida nele expressa. Desde que nascemos, estamos estabelecendo contratos com pessoas, em muitos casos, não explícitos. As dívidas, consignadas nos diversos contratos, são compromissos com a vida. São obrigações assumidas e que devem ser cumpridas. Mas a fala de Jesus pode estar se referindo a outro tipo de dívida. Àquela que diz respeito à falta interna motivada pela ignorância. Essa deve ser perdoada, pois se trata da ausência de aprendizado por causa da infância espiritual em que se encontra a criatura humana.
O ser humano deve perceber que suas atitudes, em muitos casos, equivocadas se devem à falta de experiência, razão pela qual se engana, trazendo prejuízos a si e ao próximo. Em face da causa encontrar-se na ignorância do Espírito, qualquer ideia de educação por via de punição é erro de interpretação. Pensar que Deus se utilizaria desse tipo de ajuste é projetar métodos humanos, arcaicos e primitivos na sua atuação. Deus é amor e não se utiliza de meios cruéis em nenhuma criatura.
Perdoar os devedores é compreender que eles também se encontram na mesma ignorância que nos situa, o que nivela o ser humano ao seu semelhante. Em certos aspectos, já nos vemos em melhor estado de compreensão do que outra pessoa; porém, em outros, é possível perceber que nos encontramos bem abaixo da compreensão pretendida.
Em certos casos, mesmo em créditos de direito, financeiros ou não, é melhor renunciar a sua reivindicação; fazê-lo, por mais direito que tenha, promove um desgaste muito grande ao credor, sem que o devedor dispense o mínimo de energia para saldar suas obrigações. Isso não significa que não se deve ir em busca de seus direitos. Refiro-me a certos casos cujo desgaste não vale a pena.
Como tudo no Universo tende ao equilíbrio, aquilo que não foi reivindicado quando se poderia fazê-lo, retorna de outra forma. A Vida sempre devolve o que é direito de cada. Seja na forma e no objeto que se perdeu, seja de forma subjetiva compensatória. Nada escapa ao equilíbrio e à harmonia do Universo. O ser humano é seu herdeiro e deve se considerar participante de uma grande rede em que o merecimento é regra.
Para saber mais sobre este e demais assuntos tratados por Adenáuer Novaes, veja as obras publicadas pelo autor. Este conteúdo foi extraído do livro: Jesus, o Intérprete de Deus – Volume I – O Arquétipo Humano.